Pela conservação das riquezas do Oceano Austral

A Antártica, continente quase inteiramente coberto de gelo e circundado pelas águas gélidas, porém biologicamente ricas do Oceano Austral, é um dos lugares mais marcantes da Terra. Essa região polar abriga um fabuloso conjunto de aves e mamíferos, onde se destacam os albatrozes, baleias, focas, petréis e pingüins. Fundamentais para a sobrevivência destas e outras espécies, pequeninos crustáceos, coletivamente conhecidos como krill antártico, crescem abundantemente em seus mares e dependem das algas que proliferam sob o gelo marinho para sobreviverem.
O Projeto de Conservação do Krill Antártico é fruto de um esforço cooperativo internacional dedicado à proteção do krill e dos ecossistemas do Oceano Austral e da Antártica. Formam o núcleo diretor do projeto, Pew Charitable Trusts e a ASOC (Coalizão Antártica e do Oceano Austral). O Núcleo Amigos da Terra Brasil (NAT) é o parceiro brasileiro neste projeto.

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Governos do Tratado Antártico falham nas decisões sobre Mudanças do Clima, mas progridem na regulamentação de áreas marinhas protegidas e turismo

17 de abril de 2009 – Baltimore, Maryland, EUA

A XXXII Reunião Consultiva do Tratado da Antártica, (ATCM - Antarctic Treaty Consultive Meeting), teve um momento promissor importante, logo no seu início, dia 7 de abril, quando a secretária de estado norte-americano Hilary Clinton abriu a reunião. A secretária Clinton proferiu sobre a necessidade de abordar o aquecimento global e observou que os Estados Unidos estão preocupados com o turismo na Antártica. No discurso, a secretária seguiu observando que na semana anterior, o Presidente Obama comunicou que mandaria o Anexo IV do Protocolo Ambiental da Antártica para ser ratificado no Senado norte -americano. O Anexo IV estabelece regras para a responsabilidade civil, decorrentes de acidentes ambientais promovidos por operadores/agentes comerciais na região antártica. A ratificação do Anexo IV também estabelecerá a restituição dos custos empenhados pelo governo norte americano nas respectivas operações de limpeza e mitigação do dano ambiental causado pelas operadoras daquele país. Este único ato representa um exemplo para os outros membros do tratado fazerem o mesmo.

Na seqüência dos eventos nesta XXXII ATCM, as últimas descobertas científicas sobre as mudanças do clima foram um dos tópicos principais da reunião. Os resultados científicos do IV Ano Polar Internacional (API), apontando para impactos severos nas regiões do Ártico e da Antártica como conseqüência das mudanças climáticas, foram aceitos por todos os governos. Somado a isso, o Comitê Científico sobre Pesquisa Antártica (SCAR - Scientific Committee on Antarctic Research) apresentou um relatório importante sobre as mudanças climáticas na Antártica, contendo a mais atual síntese da ciência do clima naquele continente.

Infelizmente, a despeito de todas as evidências apresentadas, os membros do Tratado Antártico não acordaram sobre a linguagem a ser empregada no relatório final da reunião, que expressaria a necessidade urgente para "um bom acordo sobre o clima", a ser apresentado e negociado na próxima reunião, em Copenhague, dezembro próximo. Ficou claro que alguns representantes estavam impedidos pela resposta doméstica incerta de seus países quanto às mudanças climáticas, o que os impediu de apoiar enfaticamente a ação sobre mitigação das mudanças climáticas, mesmo considerando as evidências e a urgência da situação. Em contrapartida, os governos concordaram em promover uma reunião especial com especialistas do clima na Noruega, em 2010, e também enviaram o relatório do SCAR para ser incluído na estrutura das Nações Unidas sobre as Mudanças do Clima (UNFCC), para ser utilizado nas negociações de Copenhague, em dezembro de 2009. Os ministros que assistiram a abertura da XXXII ATCM concordaram com duas declarações: relativas à relevância do API e ao significado dos 50 anos do Tratado da Antártica. Ambas as declarações apresentaram preocupações sobre as mudanças climáticas.

Segundo Rob Nicoll (WWF) "os membros do Tratado Antártico perderam uma oportunidade para honrar as responsabilidades na proteção e preservação do ambiente antártico ao não promover uma chamada coletiva para construir um tratado justo, efetivo e cientificamente sustentado, substituindo o Protocolo de Kyoto."

"Raramente a ciência é tão convincente e inequívoca" declarou Jim Barnes, diretor executivo da Coalisão do Oceano Austral e Antártica (ASOC). "Estas evidências "devem servir como uma chamada de alerta aos governos do mundo para reduzir as emissões de gases estufa e instaurar uma proteção compreensiva para o continente antártico e o oceano Austral."

No lado positivo, foi acordado entre as partes do Tratado trabalhar em conjunto com a Comissão para Conservação dos Recursos Vivos Marinhos da Antártica (CCAMLR) para estabelecer uma rede compreensiva e representativa de áreas marinhas protegidas no oceano Austral. Embora nenhum alvo claro nem cronograma foram estabelecidos, as onze áreas designadas pela CCAMLR para serem incluídas na rede de áreas protegidas (MPA network) foram endossadas pelo conjunto dos membros – incluindo o mar de Ross. As mudanças do clima, acidificação dos oceanos e as atividades crescentes de pesca e caça da baleia no oceano Austral estão colocando esse ecossistema frágil sob pressão crescente. O estabelecimento de uma rede áreas marinhas protegidas e reservas marinhas é crucial para construir a resiliência dos ecossistemas marinhos e, também, serve como áreas de referência científica para estudos relativos aos impactos das mudanças climáticas.

Barnes observa que "agora que a CCAMLR e a ATCM estão unidas neste esforço, existe uma possibilidade de estabelecer a proteção marinha nesta região, antes que seja tarde demais."

"As partes tem uma próxima oportunidade para estabelecer a rede de áreas que preservam a vida na próxima reunião da CCAMLR que ocorrerá no prócximo semestre, desta maneira oferecendo ao sistema do Tratado Antártico algo concreto para celebrar os seus 50 anos de existência" observou Richard Page (Greepeace international).

Com relação ao turismo, a ATCM adotou uma medida legalmente aplicável ao impedir qualquer desembarque na Antártica relativo a navios que transportam mais de 500 passageiros. Além disso, a ATCM aprovou uma resolução contendo princípios genéricos e voluntários sobre o turismo na Antártica. Entre esses princípios, a declaração de que o turismo não deve contribuir com a degradação de longo prazo do ambiente antártico e deve estar de acordo com a prioridade das atividades científicas para a região.

As fontes da indústria do turismo indicam que mais de 38.000 turistas, na maioria passageiros embarcados em navios, viajaram à Antártica no verão austral de 2008-2009. Os números projetados para a próxima estação são de aproximadamente 43.000 turistas.

Durante a última década, os números da indústria do turismo na Antártica duplicam a cada 5 anos.

"Durante os últimos 8 anos de discussões sobre a indústria do turismo na Antártica, os membros do Tratado da Antártica não tem se mostrado dispostos a discutir a natureza básica desta atividade, se permitindo serem distraídas pelas manifestações menores do fenômeno do turismo nesta região. Neste contexto, os passos largos dados por esta ATCM são positivos" declarou Ricardo Roura (consultor sênior da ASOC). Roura também disse que "estes passos, no entanto, demoraram muito a acontecer e constituem somente uma fundação rasa para um regime de gestão do turismo na Antártica. Esperamos que os próximos passos a serem tomados, nas próximas ATCMs ,além da atitude dos seus membros quanto a esta questão abordem proativamente o desenvolvimento do turismo na região antártica."

ASOC, abril 2009

Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Termina a reunião anual da CCAMLR

A reunião em Hobart terminou e o progresso sobre um espectro de temas sobre krill foi frustrado pelo Japão e Coréia do Sul. Segundo o relato de um membro da ASOC presente na reunião, o comportamento dos representantes da Argentina transformaram o último dia numa farsa. O encontro terminou logo depois das 21 horas de ontem e logo mais informaremos novidades sobre a reunião da CCAMLR.

A comunidade Antártica pode proteger o fundo marinho do Oceano Austral

© 2008 AAP (27 de outubro de 2008 - 15:28) - Modificado de Tradução de Ricardo Burgo Braga burgobraga@gmail.com

A Austrália propôs que a comunidade internacional, que atua na Antártica, discuta e vote uma proposta que será um marco para a proteção contra a atividade de pesca de áreas marinhas importantes do Oceano Austral. As Delegações nacionais dos 26 estados signatários (entre eles o Brasil) da Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos da Antártica (CCAMLR), realizaram nos últimos 10 dias o seu vigésimo sétimo fórum anual, na sede da organização, em Hobart, na Tasmânia, Austrália.
Os australianos estão propondo a proteção de 400 km2 de duas áreas submarinas, que ficam a 800 m de profundidade (cerca de 65 milhas a leste do continente antártico). O Dr. Tony Press, Diretor do programa antártico australiano, ou Australian Antarctic Division (AAD), declarou que, no início deste ano, uma missão de exploração científica para estas áreas resultou na descoberta de uma abundância surpreendente de vida, incluindo diversas espécies desconhecidas pela ciência. Dr. Press declarou, ainda, que "essa comunidade de corais é muito similar a algumas partes da Grande Barreira de Corais. As espécies de plantas e animais destas comunidades - incluindo uma aranha marinha gigante de cor laranja – são únicas para essa região do mundo e que se trata de um ecossistema marinho complexo, onde cada espécie é dependente da outra para sobreviver. Assim, a perturbação deste equilíbrio delicado, promovido pela atividade de pesca indiscriminada, poderia causar danos irreparáveis a essas comunidades submarinas".
Por fim, o Dr. Press diz que "a iniciativa de declarar estes leitos marinhos (na verdade um complexo de montes marinhos) como ecossistemas marinhos vulneráveis, irá protegê-los contra o impacto da pesca de fundo em águas abertas do Oceano Austral. Esta é a primeira proposta que promove a classificação de vulnerabilidade de um ecossistema marinho no Oceano Austral."
Outra questão fundamental discutida nos últimos dez dias tem relação com o krill antártico. Por ser alimento principal para diversas outras espécies, a conservação do krill é também fundamental para a sobrevivência de todo o ecossistema antártico.
Para manejar esse equilíbrio delicado envolvendo o krill (competição entre a exploração humana e outros predadores), a ciência ainda precisa saber mais. Assim, um dos focos de discussão na CCAMLR XXVII será a instituição de observadores científicos embarcados nas frotas de pesca, para coletar dados vitais ao manejo sustentável do pesqueiro do krill antártico.

Mais informações Projeto de Conservação do Krill Antártico - PCKA http://www.krillcount.org/
Antarctic and Southern Ocean Coalition - ASOC http://wwwasoc.org/

Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Novo blog da ASOC

A ASOC lançou um novo blog sobre t4mas ambientais antárticos. Você pode vê-lo em www.antarcticablog.blogspot.com. Blogs são um grande meio para se alcançar o público interessado na Antártica e também de ajudar a manter as organizações atualizadas. Este blog foi iniciado no último inverno e vem tomando uma freqüência de postagem de matérias mais acelerada agora, inicialmente a partir de comentários sobre novas notícias relacionadas com a Antártica.
Você é convidado a contribuir com entradas de qualquer tipo (a respeito da Antártica) para o blog; seja anunciando eventos, informação a respeito de projetos de pesquisa, opiniões ou mesmo vídeos (inclusive do YouTube) sobre a Antártica. Entradas ideais são aquelas relativamente curtas para chamar a atenção dos usuários comuns da internet, algo como um ou dois parágrafo com elos para informações mais detalhadas. Acesse e apóie a ASOC.

Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

Aker Biomarine candidata-se à certificação MSC

NORUEGA – A Aker BioMarine concluiu com êxito uma pré - avaliação para obter a certificação do Marine Stewardship Council (MSC) para suas operações de captura do krill antártico.

A empresa vai agora avançar para uma avaliação MSC plena. "Aker BioMarine vende produtos com plena rastreabilidade através da cadeia de produção. Para nós, é de primordial importância capturar krill de modo responsável e sustentável. Esperamos uma captura de 55 mil toneladas no próximo ano e não pretendemos nos tornar um grande competidor em termos de volume. É tudo sobre usar a tecnologia mais avançada para maximizar o valor da biomassa da nossa colheita", diz Kjell Inge Røkke, CEO da Aker BioMarine.

"A certificação de uma instituição respeitável como a Marine Stewardship Council fortaleceria nossa posição como uma empresa líder mundial de ingredientes em operações e pescas", diz o Sr. Røkke.

O MSC é uma organização independente, mundial, sem fins lucrativos, cuja certificação de pesca líder e programa de rotulagem ecológica permitem pescas sustentáveis e bem geridas para serem avaliados independentemente para demonstrar a sua sustentabilidade. A certificação bem sucedida permitiria aos produtos Aker BioMarine portarem o MSC selo ecológico que oferece aos consumidores uma garantia de sustentabilidade, uma gestão eficaz das pescas, bem como a total rastreabilidade através da cadeia de custódia. A certificação MSC incide sobre a saúde do estoque pesqueiro e como ele é gerido, além de avaliar o efeito mais amplo da pesca sobre o ecossistema. Isso inclui uma gama de mamíferos marinhos, aves e peixes.

O krill é a pedra angular das espécies no oceano Antártico e a Aker BioMarine comprometeu-se à captura sustentável deste valioso recurso. A empresa tem atualmente observadores independentes nos navios o tempo todo para monitorar e relatar as operações de pesca. Equipamento de colheita especializado é utilizado para evitar as capturas incidentais de aves ou mamíferos marinhos. Sistemas de localização por satélite estão instalados em navios da Aker BioMarine para o registro constante da duração e localização da pesca. Outros trabalhos estão sendo realizados com grupos científicos para avaliar e reduzir as capturas incidentais de organismos marinhos durante as operações de pesca.

Todas as operações de pesca na Antártica são gerenciadas pela Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos (CCAMLR). A CCAMLR opera um controle rigoroso sobre a pesca do krill e é reconhecida como um dos sistemas de gestão mais profissionais do mundo. As cotas admissíveis de capturas são fixadas num nível de precaução para evitar qualquer impacto sobre as populações de predadores. A pesca do krill vem operando com sucesso na Antártica desde a decada de 1970 e atualmente está removendo uma quantidade de 150.000 toneladas por ano, bem abaixo dos totais de captura ditos admissíveis, ou seja, 4 milhões de toneladas. A biomassa total estimada de krill está entre 150 e 500 milhões de toneladas, o que o qualifica como um dos maiores recursos dos oceanos do mundo.

A Aker BioMarine diz que reconhece a necessidade de uma maior compreensão científica a respeito do krill, sua distribuição sazonal, variações anuais de populações, predadores e os efeitos da interação com alterações climáticas. A empresa quer contribuir para uma maior pesquisa, oferecendo seus navios como plataformas de apoio a instituições científicas. (Esta nota saiu no TheFishSite de 13 de outubro de 2008)

Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Ciência e matança


O programa “científico” japonês de caça baleeira antártica, conhecido como JARPA ou "Scientific Whaling", desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa de Cetáceos (ICR), teve início em 1987, em seguida à moratória da caça comercial de baleias. O Japão diz que sua pesquisa objetiva reverter essa proibição, fornecendo evidências de que esses mamíferos podem ser caçados de modo sustentável.
Críticos dizem que esta atividade, apesar de limitada, trata-se de um disfarce para a caça comercial de baleia. Isto porque a carne é vendida como alimento pela Kyodo Sempaku, e porque as baleias não precisam ser mortas para se obter a informação requerida sobre estrutura e números populacionais. Até 2005, o Japão matava um máximo de 440 baleias minke das espécies antártica (Balaenoptera bonaerensis) e anã (B. acutorostrata subspecies) no oceano Austral a cada verão. Recentemente aquela quota foi duplicada, e no ano passado o programa japonês afirmou que caçaria 50 baleias de cada uma das espécies ameaçadas, fin (Balaenoptera physalus) e jubarte (Megaptera novaeangliae), pela primeira vez após décadas sem caçá-las. Porém, recuou “temporariamente” após intensa pressão política e por problemas logísticos tendo ficado em 551 o número de minkes mortas ao termino da temporada de caça (ver: http://www.environment.gov.au/coasts/publications/pubs/iwc-factsheet-whaling.pdf).
Até agora, a principal tese defendida pelo programa japonês foi que as baleias devem ser mortas para conservar os estoques pesqueiros – uma idéia ridicularizada pelos experts em pesca.
Para ver o artigo completo "Whales losing blubber, claims controversial Japanese study", acesse o portal do periódico britânico The Guardian em http://www.guardian.co.uk

Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Reuniões da ACAP em Cape Town

O Acordo para a Conservação de Albatrozes e Petréis (ACAP) realizou os encontros de seus grupos de Trabalho e Consultivo, neste mês (o8/2008), em Cape Town, África do Sul.

A ASOC tem status de membro observador na ACAP, e nossos representantes lá foram Estelle van der Merwe (ASOC/AKCP, Chefe da Delegação) e Rebecca Baird (WWF, Consultora). De 17 a 21 de agosto elas participaram do Grupo de Trabalho sobre captura incidental de aves, em Hermanus, e de 22 a 25 de agosto, da reunião do Comitê Consultivo, em Cape Town. Um pequeno grupo tem discutido os objetivos e prioridades para esses encontros, os quais podem ser considerados um degrau para um engajamento maior com a ACAP no próximo ano.

O website da ACAP - http://www.acap.aq - está aberto ao público, contendo muitos documentos de relevância para esses encontros.