Pela conservação das riquezas do Oceano Austral

A Antártica, continente quase inteiramente coberto de gelo e circundado pelas águas gélidas, porém biologicamente ricas do Oceano Austral, é um dos lugares mais marcantes da Terra. Essa região polar abriga um fabuloso conjunto de aves e mamíferos, onde se destacam os albatrozes, baleias, focas, petréis e pingüins. Fundamentais para a sobrevivência destas e outras espécies, pequeninos crustáceos, coletivamente conhecidos como krill antártico, crescem abundantemente em seus mares e dependem das algas que proliferam sob o gelo marinho para sobreviverem.
O Projeto de Conservação do Krill Antártico é fruto de um esforço cooperativo internacional dedicado à proteção do krill e dos ecossistemas do Oceano Austral e da Antártica. Formam o núcleo diretor do projeto, Pew Charitable Trusts e a ASOC (Coalizão Antártica e do Oceano Austral). O Núcleo Amigos da Terra Brasil (NAT) é o parceiro brasileiro neste projeto.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Expedição à Antártica descobre a maior concentração de baleias jubarte dos últimos 20 anos

Matéria de Helena Geraldes, postada no portal português Público, no final de abril, mas pouco noticiada no Brasil, comenta um estudo publicado na revista “PLoS ONE” sobre uma expedição de seis semanas realizada em Maio de 2009, a bordo do navio “Lawrence M. Gould”, que encontrou 300 desses animais se alimentando em baías da Península Antártica. A equipe, dos Programas Polares da Fundação Americana para a Ciência, regressou ao mesmo local em Maio de 2010 e registou números semelhantes – observaram 306 baleias jubarte – correspondendo a 5,1 baleias por km quadrado, a maior densidade já registada – na Baía Wilhelmina. Segundo esse estudo, há mais de 20 anos que não se via tamanha concentração de baleias jubarte (Megaptera novaeangliae), uma espécie ameaçada.
“Uma concentração de baleias e de krill [..] incrivelmente densa como esta nunca foi observada nesta zona e nesta época do ano”, comentou Douglas P. Nowacek, da Universidade de Duke, citado em comunicado desta instituição.
Os pesquisadores também mediram a biomassa de krill, estimando-a em cerca de dois milhões de toneladas. Se as mudanças na cobertura de gelo marinho, em decorrência das alterações climáticas na região, tem facilitado a alimentação das baleias, a continuidade desse fenômeno pode ser fatal para as populações de krill. E, consequentemente, para as próprias baleias e toda a cadeia alimentar no oceano Austral, pois as populações de krill não terão tempo para se recuperar, de uma estação a outra, mantendo assim as espécies que dele dependem. Como comenta Ari Friedlaender, da Universidade de Duke (EUA): “A curto prazo, a falta de gelo marinho é uma boa notícia para as baleias, ..., à medida que o krill se desloca verticalmente para a superfície da baía todas as noites”. Mas estas são más notícias a longo prazo para ambas as espécies e para todo o resto no oceano Antártico que depende do krill”.

Quer trabalhar (duro) 5 meses com lobos marinhos na Antártica?


O anúncio refere-se a uma vaga para trabalho em campo com pinípedes (focas) antárticos, de outubro a março de 2012, num refúgio no cabo Shirref, ilha Livingston, Ilhas Shetland do Sul, a cerca de 100 km da Península Antártica. O cargo é Assistente de Campo com Pesquisa de Pinípedes, junto ao Programa de Recursos Vivos Marinhos Antárticos dos Estados Unidos.

Trata-se de um contrato de 4-5 meses para trabalho de campo que vigorará entre 28/10/2011 e 15/3/2012, aproximadamente, oscilando de acordo com o cronograma dos navios de pesquisa previstos para atender projetos naquela ilha. A principal responsabilidade dessa função é ajudar o líder de campo em sua pesquisa com pinípedes, no entanto, a pessoa contratada deve ser capaz de trabalhar de forma independente e ter total responsabilidade com várias tarefas associadas ao programa de pesquisa norte-americano de pinípedes, PEAML.

Pressupõe-se que o candidato seja fluente na língua inglesa e os deveres incluem as seguintes tarefas (mas não se limitam a elas apenas):
               Assisting with the capture and handling of female (30-45kg) Antarctic fur seals and their pups for tagging, tooth extraction, radio telemetry, satellite-linked telemetry, foraging energetics and ecology, pup growth, daily censuses, and diet analysis (scats and enemas). 
               Extensive data entry and management in Access or  Excel.  The applicant should be prepared to take full responsibility for all data management while maintaining other scientific and camp duties.  The data must be entered in a format authorized by the task leader with no unauthorized modifications.  All data must be entered by the end of the field season.  Programming in R highly desirable but not mandatory.
               Some data analysis and data summaries (in the field).
               Occasionally assisting on other projects with other species (e.g. penguin banding, diets)
               General camp maintenance (including generators, solar array, and wind generator), construction projects, painting, cooking, cleaning.

Características necessárias para se candidatar à vaga:
v  Excellent physical condition.  The terrain is rugged and remote, and the ground is often wet.  Typical weather conditions include frequent fog, rain, sleet, snow, and nearly continual dampness.  In addition it is often windy (with wind storms exceeding 75mph) and temperatures fluctuate around freezing.  Field work continues through all but the very worst of conditions, often involving carrying large pieces of equipment some distance to various work sites and lifting and handling of aggressive 45 kg+ fur seals for restraint procedures.  Personnel with any back, leg/knee/foot problems or any occasional ligament or tendon pain should seriously reconsider their interest in this position.  Safety is always paramount as access to health care is very limited and medi-vacs are extremely difficult.  Candidate must pass both physical and dental exams and be approved for remote field duty by a qualified physcian.
v  20/20 vision and keen observational skills.  A large part of the fieldwork is population dynamics and demography.  This involves daily reading hundreds of flipper tags and bird bands in all weather, usually through binoculars.  Excellent vision and observation skills are essential.
v  Experience around large animals is highly desirable.  The applicant must be willing to capture and restrain female fur seals and their pups, leopard, elephant and Weddell seals and work in close proximity to the much larger Antarctic fur seal bulls and other animals using the area for breeding, feeding or resting.
v  Other highly desirable skills: Emergency Medical Training (EMT) is extremely beneficial; Cross-country skiing is often used during the first month of studies. Familiarity with radio telemetry, knowledge of solar electrical systems, 12v and/or 110v electrical systems (including wiring and batteries), construction, general mechanics, SSB radio operation, small generator repair/maintenance, carpentry, medical (first aid/CPR), knowledge of Spanish (some Chilean colleagues at nearby Chilean camp speak only Spanish), freezer operation/repair, clothing and field equipment repair, are all skills the applicant would find beneficial to him/herself and the camp.  We are not guaranteed support personnel and all tasks associated with the care of the camp, scientific equipment and the personnel; are the responsibilities of the scientists working out of the camp.
v  Computer skills:  Data entry is primarily in MS Access and Excel and familiarity with their use is required.  Knowledge of MS Word, MS Outlook (e-mail), ATS – DCC logger download software, general computer skills (installation of drivers, general repair and troubleshooting), and any similar skills/knowledge are highly desirable.
v  Spanish : A command of Spanish is very helpful, though not essential.  We frequently conduct business with maritime agents in Chile.  Chile also operates a field camp at Cape Shirreff and there are usually 3-4 Chilean scientists that work in the area.  Our Chilean colleagues are frequently bilingual though there are usually some members of their field team that do not speak English.  Spanish speaking, however, is not consider essential and non-Spanish speaking applicants should not be discouraged from applying.
v  Applicant personality and domestic skills considerations:  The applicant’s personality must enable him/her to comfortably live in a remote field camp with 3-6 other individuals of diverse backgrounds and beliefs.  The main building contains no separate rooms for sleeping, cooking, working on the computers or privacy.  Sleeping hours are generally from 11:00 pm to 7:00 am, and times outside of this range are considered work hours where noise from the kitchen/dining/computer area easily filters back to the sleeping bunks. Mixed crews of “night owls” and “early risers” often lead to conflicts so tolerance and consideration of others are always encouraged. 
Contact with friends, family, loved ones is at a minimum; occurring mostly through e-mail transmitted by satellite.  As the satellite time is costly, messages must be kept small and no attachments (pictures or similar) can to be transmitted except in emergencies and only with approval from the expedition leader.  Telephone calls using Iridium phones are possible, but are limited. The applicant is expected to cook and clean up his/her share of the meals for everyone, using the finite supplies stored at the camp. Cooking and cleaning rotates daily between all camp inhabitants.  The camp’s food is stored in a chest freezer, a small amount of fresh produce in a pantry, and much of the food is canned or dried.
To ensure harmony in the camp, all camp members should have a sense of maturity and responsibility to clean up after themselves and perform their duties and responsibilities (both camp and scientific) without having to be reminded by team mates.
v  Preference will be given to candidates expressing an interest in returning for consecutive seasons.  Pay in the second (or subsequent) seasons will be adjusted to compensate for previous experience gained.

For additional information or questions, please contact:
E-mail:           CapeShirref...@gmail.com

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Baleerios japoneses vão à Antártica com guarda costeira


A Coalizão Caribenha Oriental pela Conscientização Ambiental enviou carta à Secretária de Estado Hillary Clinton, chamando a atenção dos EUA para um desastre que pode estar prestes a ocorrer no Santuário de Baleias do Oceano Austral - um santuário criado em 1994 pelo voto da maioria esmagadora da Comissão Baleeira Internacional (IWC) com apoio, inclusive, daquele país.
 
Enquanto o Japão envia, pelo 17º ano consecutivo, a sua frota baleeira para o Santuário de Baleias do Oceano Austral, observamos com consternação seu desafio a essa decisão histórica internacional. O que é mais assustador é que este ano sua investida incluiu também o pessoal armado da guarda costeira em resposta aos não violentos e desarmados ativistas que lá estão tentando garantir a decisão internacional que protege esse Santuário.
 
Ao despachar sua guarda costeira armada, o Japão não declarou as suas intenções. No entanto, é fato que implantou a capacidade de trazer a bordo à forçaos ativistas, ou desabilitar seu navio com ameaça de força letal em apoio a uma empreitada que é levada em claro desafio ao espírito da presente decisão conservacionista internacional.
 
Se esses guardas costeiros usarem suas armas isso constituirá uma agressão armada, no mar, contra cidadãos desarmados de diferentes países. Ambientalistas de todo o mundo estão observando o desenvolver dessa situação e se perguntando onde está a justiça?
 
Dentre a miríade de pessoas que se opõem à caça japonesa à baleia no Santuário do Oceano Austral, um californiano fez um jejum de 25 dias para chamar a atenção para este problema, e ele tinha a dizer o seguinte: "... Se for necessário me juntarei às inúmeras pessoas que deram suas vidas por dois princípios fundamentais:
1º. A regra de direito deve prevalecer, e
2º. Agressão armada em alto mar é inaceitável ...."

Se vidas forem perdidas ou mutiladas no mar, desta forma, como se restaurará a confiança que as pessoas têm em tratados internacionais?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Deserto de Cristal

Algumas fotos da Expedição Deserto de Cristal, do CPC-UFRGS, à região de Patriot Hills (paralelo 80º S), no interior da Antártica.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Salvar baleias ameaçadas de extinção ajuda o sequestro de carbono no mar

Pesquisa recente da Divisão Antártica Australiana afirma que salvar baleias ameaçadas de extinção pode aumentar a capacidade de armazenamento de carbono no oceano Antártico. Isso porque as fezes do mamífero despejam enormes quantidades de ferro no mar, o que impulsiona o crescimento do fitoplâncton, sequestrador de carbono (CO2).

Os pesquisadores atribuem essa quantidade de ferro nos excrementos de baleias ao seu principal alimento, o krill. A análise foi feita comparando o teor da substância em todo o crustáceo e a amostra do material genético do DNA das fezes, o que provou ser esse pequeno animal a fonte de ferro mais importante para as baleias. A partir desse estudo, é revelado mais um aspecto crucial para a conservação do krill Antártico.


Leia a notícia completa abaixo, copiada do site Ambiente Brasil:

Cocô de baleia ajuda a sequestrar carbono no mar


Salvar baleias ameaçadas de extinção pode aumentar a capacidade de armazenamento de carbono no oceano Antártico, segundo novo estudo sobre as fezes do mamífero. Os excrementos despejam enormes quantidades de ferro no mar, o que impulsiona o crescimento do fitoplâncton, sequestrador de carbono.

O autor da pesquisa, Stephen Nicol, da Divisão Antártica Australiana com sede em Kingston, na Tasmânia, encontrou grande quantidade de ferro no cocô das baleias. Ele considera que a caça comercial dos animais pode ter sido responsável pela diminuição de cerca de 12% de ferro na superfície do Antártico.

Estudos anteriores mostram que o ferro é crucial para a saúde do oceano porque o plâncton precisa dele para crescer. “Se você adicionar ferro solúvel no oceano, obtém o crescimento do fitoplâncton instantaneamente”, disse o pesquisador. A quantidade de ferro nas fezes significa que proteger as baleias da Antártida poderia inchar as populações de fitoplâncton, que absorvem o dióxido de carbono.

O krill antártico (Euphausia superba) – pequeno crustáceo – serve de alimento para os fitoplânctons, concentrando o ferro em seus tecidos. Por sua vez, as baleias se alimentam deles.

Rações de ferro
– Uma pesquisa anterior levantou que as baleias reciclam o ferro do oceano se alimentando da substância encontrado no krill e, posteriormente, liberando-a nas fezes para os plânctons. Mas até este estudo, ninguém havia analisado o excremento dos mamíferos para constatar se eles continham significativa quantidade de ferro.

A equipe de Nicol analisou 27 amostras de quatro espécies de baleias e descobriu que nas fezes de um animal média existe 10 milhões de vezes mais ferro do que na água do mar da Antártida.

Os pesquisadores confirmaram que o ferro veio do krill, pela análise do teor da substância em todo o crustáceo e da amostra do material genético do DNA das fezes. “Nós confirmamos que a grande maioria do ferro no cocô veio do krill”, explicou o autor.

Comedores de Big Mac – Pelas estimativas da população de baleias no oceano Antártico antes da caça comercial que teve início no começo do século passado, Nicol levantou que os mamíferos – agora em perigo – consumiam cerca de 190 milhões de toneladas de krill todos os anos e produziam 7.600 toneladas de fezes ricas em ferro.

De acordo com o autor da pesquisa, populações maiores teriam produzido mais ferro, causando o aumento do número de fitoplânctons e krill.

“Proteger as baleias implica no lento recomeço do sistema”, disse ele. “E isso acabará por aumentar a quantidade de CO2 que o oceano Antártico pode sequestrar.”

David Raubenheimer, pesquisador de ecologia nutricional marinha da Universidade Massey, em Auckland, Nova Zelândia, afirmou que as descobertas são importantes e convincentes. “Elas destacam um papel ecológico específico para as baleias nos oceanos diferente do seu carisma.”

Peter Gill, ecologista da universidade de Deakin em Warrnambool, na Austrália, chama a pesquisa de “excitante”. “Muitas baleias foram retiradas dos mares antes que pudéssemos compreender a ecologia do oceano”, disse. “É emocionante quando podemos reconstruir o passado e percebemos que todas as peças se encaixam.” (Fonte: Folha Online)